quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Parque São Jorge

A contratação de Ronaldo Fenômeno para o Corinthians pode render bons tostões e também um tiro no pé. Com um milionário no time, seguramente, vai ter uma fila de jogadores batendo na porta da diretoria para pedir aumento. A união vista na conquista do título da série B pode dar lugar ao ciúme e a sentimentos não muito nobres, especialmente, se Ronaldo ficar sob os flashes sem jogar nada. Haja espada de São Jorge!

Ainda bem que a Fiel é uma grande torcida (e não uma torcida grande)! Só ela para concentrar pensamentos positivos suficientes para o Fenômeno ficar bom do joelho, recuperar a forma física, voltar a jogar, dar muitas alegrias ao time, calar os adversários e me calar. Tudo isso em apenas um ano.

Pensando alto

Os pilotos do jato Legacy que bateu no avião da GOL em 2006 foram absolvidos da primeira acusação. Agora, oficialmente, ninguém pode dizer que eles foram negligentes. Pergunto-me, entre outras coisas, o que aconteceria se pilotos brasileiros, voando no espaço aéreo americano com o transponder desligado, se envolvessem num acidente que resultasse na morte de 154 pessoas? É bem provável que estivessem em Guantánamo.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Expedição Haiti - Olhares das crianças

Uma leitora do Expedição Haiti enviou duas perguntas por e-mail. Como o questionamento é recorrente, resolvi publicá-lo.

"Entre todas as coisas que marcou você nas suas viagens para lá, li a sua descrição sobre as crianças.Você poderia por gentileza descrever o olhar delas?"

O olhar daquelas crianças... tão difícil de dizer. Pensar nisso gera tantos sentimentos... orgulho, dor, felicidade, a sensação de mãos atadas. Depende da região em que você vai e do que está acontecendo na hora. Os olhares misturam aquela vontade sapeca de fazer arte, a curiosidade sobre quem está diante delas e o que carrega, se elas podem tocar. São olhares famintos... fome de comida, de atenção, de cuidados básicos. As crianças que correm pelas ruas são vidradas em câmeras. Não podem ver uma máquina que disputam nos empurrões a oportunidade de serem fotografadas. E isso lhes deixa com rostinhos e olhares tão contentes que parecem estar vivendo o dia mais feliz da vida delas. Talvez porque, inconscientemente ou não, elas sejam obrigadas a viver cada dia como se fosse o último, o que de fato pode ser. Já as desnutridas, nos colos das mães por falta de forças para andar, têm olhar parado em algum lugar da História, talvez no ponto em que lhe tomaram, violentamente, a inocência. O olhar definha como o pequeno corpo, que apela por ajuda, mas parece esperar apenas a morte.

"Elas têm a idéia do por que o Brasil está lá?"

Elas aprenderam a conviver com os soldados, não apenas brasileiros, mas não creio que saibam o porquê da presença das tropas. Nem a maioria dos adultos deve compreender o profundo significado de uma intervenção internacional. O dia-a-dia lhes dá uma idéia sobre um resultado x, que vem acompanhada de expectativas, frustradas ou não. Mas apenas parte da elite compreende a seriedade do jogo de poder internacional que isso envolve. Lembre-se, porém, de que a maioria dos brasileiros nem sabe que nossas tropas estão lá, quanto mais o que isso representa para as relações internacionais.

Espero que essa leitora, uma jovem estudante de Relações Internacionais, tenha a oportunidade de ir ao Haiti. É uma viagem que muda a vida de qualquer pessoa. Um turbilhão de sentimentos que jamais será esquecido, acompanhado de histórias impossíveis de serem contadas em apenas uma vida. Estou certa de que será uma profissional diferenciada só pelo fato de ter escolhido, para seu trabalho de conclusão de curso, um país fora do eixo de dominação.

A História é contada por vencedores e, por isso, ao falar no Haiti, é impossível não pensar na vitória sobre o exército napoleônico. Seguramente, é o feito de maior orgulho daquele povo, que paga tão caro por tamanha ousadia. Hoje, os haitianos são tratados como perdedores, isolados do mundo, fadados ao sofrimento. Para mim, os países ricos têm é medo da reação de tão bravos e fortes guerreiros.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Deputados bolivianos pedem apoio ao Brasil

Primeiro foi o presidente, agora são os parlamentares. Há 13 dias, o líder boliviano Evo Morales foi obrigado a vir para o Brasil para conseguir voltar a La Paz. Neste momento, 8 deputados que apoiam Morales, fazem o mesmo percurso do presidente. Saíram de Riberalta, na Bolívia, para Guajará-Mirim, em Rondônia, em busca de apoio dos militares do 6º Batalhão de Infantaria de Selva. O mais provável é que a Polícia Federal os transporte para o aeroporto. Um avião da Força Aérea Boliviana deve levá-los de volta a La Paz.

Lula bloqueia Plano Estratégico de Defesa?

A falta de manifestação governamental, após reunião no Palácio do Planalto, pode indicar que o presidente Luis Inácio Lula da Silva reagiu de maneira inesperada ao Plano Estratégico de Defesa. Teria ele bloqueado a execução do audacioso projeto dos ministros Nelson Jobim (Defesa) e Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos)?

Caso isso tenha acontecido, mais uma luz vermelha se acenderá no país. A área precisa de investimento pesado e urgente. Tornar-se liderança regional é uma opção interessante, mas defender os recursos naturais e garantir o desenvolvimento nacional é obrigação do Estado.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

O Plano Estratégico de Defesa

Ousadia. Essa é a palavra que define o documento que será entregue pelo Ministro da Defesa, Nelson Jobim, e pelo Ministro-Chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, no dia 7 de setembro, ao Presidente Luis Inácio Lula da Silva.

O estudo deve mexer de maneira importante com a indústria bélica nacional e diversas áreas de infra-estrutura. Os ministros pretendem que pesquisa tecnológica e produção avançada estejam interligadas, mas para garantir os negócios, o Estado teria maior controle sobre os rumos de empresas privadas. É bom atentar para as exigências que farão as federações de indústria e comércio!

“O Brasil precisa de um escudo de defesa se quiser desbravar um caminho singular no mundo”, afirmou Mangabeira Unger, após se encontrar, nesta tarde, com os comandantes das Forças Armadas da região de São Paulo. “O nosso pacifismo não nos exime da responsabilidade de nos defender”, completou.

Se o debate sobre a Defesa Nacional vingar, o que só deve acontecer depois das eleições municipais, já será um grande ganho para o país. Os militares parecem otimistas. Concordam que o povo deva decidir o tamanho e o tipo de Forças Armadas que querem ter para enfrentar os desafios do mundo moderno. Mangabeira não deixa dúvidas sobre o que pensa. “O Brasil precisa poder dizer não quando tiver que dizer não”, avalia.

E para se impor no cenário internacional, o Plano Estratégico de Defesa prevê mais do que reaparelhamento. Fala em alterações no serviço militar obrigatório.

Mangabeira demonstra preocupação com o profissionalismo no trabalho militar. O ministro questiona até que ponto é interessante para o país aproveitar apenas os jovens voluntários que se apresentam aos 18 anos. Unger quer colocar em debate a possibilidade de as Forças Armadas decidirem quem, quando e como aproveitar não apenas os mais aptos fisicamente, como intelectualmente.

Além de ousado, o Ministro-Chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos também é evasivo. Sem apresentar novidades ao ser questionado sobre a proteção das bacias de petróleo, Mangabeira falou em modernização entre 2015 e 2025. Não disse, porém, como garantir isso num país com tradição apenas de política de governo, não de Estado.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Meu livro. Meu filho. :-)

EXPEDIÇÃO HAITI
HISTÓRIAS DE MILITARES BRASILEIROS EM MISSÃO DE PAZ
Prefácio - Roberto Kovalick. Comentário - General Heleno.

Lançamento dia 25 de agosto, pela Editora Baraúna.

O treinamento militar, a adaptação em solo caribenho, a pobreza e a violência nunca sairão da mente dos fardados. Um turbilhão de sentimentos. O que eles esperavam ficou distante do que realmente aconteceu. A ONU: o reino da burocracia e de promessas não cumpridas.

Memórias do primeiro brasileiro a comandar treze tropas estrangeiras em uma missão de paz. A vida de um tenente depois de ter o braço estraçalhado por um tiro de fuzil. A reação das Forças Armadas às três mortes brasileiras. O que mudou e o que não mudou com a atuação militar no Haiti. A resposta do povo à presença de estrangeiros. A luta diária das mulheres. A expressão das crianças.

Os interesses políticos e econômicos do Brasil numa terra aparentemente esquecida, mas que estimula o investimento de R$ 500 milhões em operação militar.

Por que pacificar o Haiti foi mais fácil do que acabar com a violência no Rio?

Experiências de uma estudante em busca de realizar sua primeira reportagem. Os sentimentos que isso pode despertar: insegurança, aflição, dúvida, determinação, iniciativa... Olhares e texto de uma jornalista que foi duas vezes ao Haiti para sentir, no corpo e na alma, cores, cheiros, angústias, medos, alegrias, entusiasmos, energias...

Questionamentos, certezas, impressões e fraquezas expostos ao leitor, para que ele testemunhe um apaixonante processo de aprendizado e amadurecimento. Em um texto leve, bem humorado e de fácil leitura, um foco que se acende sobre uma das mais complexas e curiosas sociedades do mundo ocidental.

Venda exclusivamente pelo site http://www.editorabarauna.com.br.