Um bate-papo antes de uma entrevista é sempre bem-vindo. O humor é a melhor maneira de acalmar os ânimos, dos dois lados. Toda fonte tem seu dia de jornalista, tem aquela curiosidade sobre o trabalho, sobre o estilo, quer saber com quem está conversando. Isso é ótimo, facilita muita coisa. Da mesma forma que a fonte, o jornalista não pode mentir. Da mesama forma que a fonte, algumas vezes, jornalistas respondem com perguntas. Então surgem os diálogos...
Fonte - Você vai falar bem de mim? (risos)
Jornalista - Você vai me dar motivo? (risos)
terça-feira, 22 de abril de 2008
segunda-feira, 21 de abril de 2008
Dúvida cruel
Será que Lula vai cobrar explicações do Ministro das Relações Exteriores? Celso Amorim contrariou as declarações do presidente e fala em manter negociação com o Paraguai para chegar a um preço justo pela energia de Itaipu.
Destempero militar
Erra quem aproveita a manifestação do General Heleno sobre o gigantesco problema amazônico para fazer ameaças ao Presidente Lula. Erra feio quem usa a internet para pedir um golpe. Se alguém acha que o General Heleno é exemplo de militar e cidadão, deveria escutar o que ele tem a dizer. Ele não fala, nem nunca falou em golpe. Ele não faz, nem nunca fez ameaças.
O Comandante Militar da Amazônia quer o desenvolvimento sustentável do norte do país, a discussão de um assunto crítico e pede para participar ativamente de um governo democrático, com estado de direito e liberdade de expressão.
Atentemos para as manifestações contrárias.
O Comandante Militar da Amazônia quer o desenvolvimento sustentável do norte do país, a discussão de um assunto crítico e pede para participar ativamente de um governo democrático, com estado de direito e liberdade de expressão.
Atentemos para as manifestações contrárias.
sexta-feira, 18 de abril de 2008
O Brasil é mesmo um país incrível!
A Presidência da República é ocupada por um homem que recebe aposentadoria por ter sido um perseguido político nos tempos que esperamos não viver mais. A Casa Civil é dirigida por uma ex-guerrilheira que, recentemente, vestiu camiseta camuflada em visita à Amazônia. Fico feliz com a evolução dos tempos.
O Planalto é o centro do poder, do dinheiro, do glamour... e também das maracutaias e “burrocracias”, talvez bem mais inteligentes do que se possa imaginar. Afinal, todo sistema é criado em proveito de algo. Ou de alguém.
É interessante notar como certos assuntos são bem-vindos quando uma denúncia de corrupção está no ar, quando mais uma CPI caminha para a pizzada - ou para um churrascão regado à picanha da boa na Granja do Torto. Ah! Sem contar os achados, ou perdidos, da Petrobras. Alguns temas sempre animam os moçoilos do Palácio Alvorada.
Para evitar a queda de mais pessoas-chave do Governo, a exposição excessiva de uma possível sucessora de um recordista em bolsa-apoio popular e para esconder as mazelas de um Governo tão doente como qualquer outro que na Terra BraZilis se estabeleceu desde 1500, o que fazer?
Vamos lá! Precisa ser algo eficiente, tão forte como... uma crise com militares. Lulinha paz e amor, que agradece até hoje a existência da ditadura, pois foi nela que ele se fez, exige explicações do Comandante Militar da Amazônia por discursos inflamados. A verdade, nos governos brasileiros, causam incêndios.
O Planalto é o centro do poder, do dinheiro, do glamour... e também das maracutaias e “burrocracias”, talvez bem mais inteligentes do que se possa imaginar. Afinal, todo sistema é criado em proveito de algo. Ou de alguém.
É interessante notar como certos assuntos são bem-vindos quando uma denúncia de corrupção está no ar, quando mais uma CPI caminha para a pizzada - ou para um churrascão regado à picanha da boa na Granja do Torto. Ah! Sem contar os achados, ou perdidos, da Petrobras. Alguns temas sempre animam os moçoilos do Palácio Alvorada.
Para evitar a queda de mais pessoas-chave do Governo, a exposição excessiva de uma possível sucessora de um recordista em bolsa-apoio popular e para esconder as mazelas de um Governo tão doente como qualquer outro que na Terra BraZilis se estabeleceu desde 1500, o que fazer?
Vamos lá! Precisa ser algo eficiente, tão forte como... uma crise com militares. Lulinha paz e amor, que agradece até hoje a existência da ditadura, pois foi nela que ele se fez, exige explicações do Comandante Militar da Amazônia por discursos inflamados. A verdade, nos governos brasileiros, causam incêndios.
Socorro, Dilma!
A ministra deveria sugerir ao presidente que fizesse mais uma viagem, desta vez, ao norte do país. Lula se divertiria vestindo a camiseta camuflada. Seria interessante ver o líder da nação brasileira frente-a-frente com alguns índios, que recebem contribuições de estrangeiros. Que bom seria ver Lula pegando carona nos carros importados de alguns tuxauas! Será que o presidente daria algum conforto às índias que perdem pais, filhos e maridos para o álcool e para o tráfico de drogas em terras continuamente demarcadas?
A Amazônia é grande, cheia de mistérios, mas ninguém precisa se preocupar com Lula. Ele não vai se perder. Chegar a uma reserva indígena é fácil. Basta seguir o mapa das maiores reservas mundiais de urânio e nióbio, só para citar alguns minérios importantes para as indústrias bélica e espacial. Ou se preferir, tomar o rumo da casa de um amigo que está muy cerca de nosotros, armado até os dentes com tecnologia russa.
Ele também pode pedir apoio a um amigão dos índios. Se tem alguém neste país que conhece índio, esta pessoa é o Comandante Militar da Amazônia. O “tal” do General Heleno, “aquele que só diz o que não deve”, comanda mais de 25 mil homens, dos quais 60% são índios. Estranhamente, ele tem o respeito de toda a tropa. Por que será?
Vai ver que ele olha no olho do soldado, inclusive do soldado índio, e fala do que conhece. Talvez ele não mande ninguém fazer o que ele não faz. Pode ser que ele não passe o dia trancado num gabinete com ar condicionado – Ah! Mas isso ninguém pode falar do presidente também. É provável que ele tenha coragem de colocar em discussão o que é de interesse do país que, há mais de 40 anos, ele jurou defender.
Não, não. É melhor não dar ouvidos a este homem. Seguramente, tanto tempo na ativa o deixou “caduco”. Afinal, segundo o nosso Ministro da Justiça, o Comandante Militar da Amazônia confundiu, ou interpretou mal, a política indigenista. Não há nenhuma ameaça à soberania nacional. Aliás, como bem lembrou a FUNAI, a nossa política indigenista é até exemplo no EXTERIOR. Se eu fosse um estrangeiro mal intencionado também aplaudiria de pé, dizendo: O Brasil é mesmo um país incrível!
A Amazônia é grande, cheia de mistérios, mas ninguém precisa se preocupar com Lula. Ele não vai se perder. Chegar a uma reserva indígena é fácil. Basta seguir o mapa das maiores reservas mundiais de urânio e nióbio, só para citar alguns minérios importantes para as indústrias bélica e espacial. Ou se preferir, tomar o rumo da casa de um amigo que está muy cerca de nosotros, armado até os dentes com tecnologia russa.
Ele também pode pedir apoio a um amigão dos índios. Se tem alguém neste país que conhece índio, esta pessoa é o Comandante Militar da Amazônia. O “tal” do General Heleno, “aquele que só diz o que não deve”, comanda mais de 25 mil homens, dos quais 60% são índios. Estranhamente, ele tem o respeito de toda a tropa. Por que será?
Vai ver que ele olha no olho do soldado, inclusive do soldado índio, e fala do que conhece. Talvez ele não mande ninguém fazer o que ele não faz. Pode ser que ele não passe o dia trancado num gabinete com ar condicionado – Ah! Mas isso ninguém pode falar do presidente também. É provável que ele tenha coragem de colocar em discussão o que é de interesse do país que, há mais de 40 anos, ele jurou defender.
Não, não. É melhor não dar ouvidos a este homem. Seguramente, tanto tempo na ativa o deixou “caduco”. Afinal, segundo o nosso Ministro da Justiça, o Comandante Militar da Amazônia confundiu, ou interpretou mal, a política indigenista. Não há nenhuma ameaça à soberania nacional. Aliás, como bem lembrou a FUNAI, a nossa política indigenista é até exemplo no EXTERIOR. Se eu fosse um estrangeiro mal intencionado também aplaudiria de pé, dizendo: O Brasil é mesmo um país incrível!
quarta-feira, 16 de abril de 2008
Erro estratégico?
Em maio, as Forças Armadas iniciam a troca de contingente da Missão das Nações Unidas para Estabilização no Haiti (MINUSTAH). Há tempos se discute a permanência armada do Brasil na região e já não são poucos os militares que, em conversas reservadas, avaliam que está mais do que na hora de sair. Interesses políticos à parte, o Exército Brasileiro caminha para uma ação complicada: o 9º contingente de Força de Paz é da Amazônia.
A maior motivação para o rodízio, que já enviou soldados de todas as outras regiões do país ao Caribe, é expor os militares a um conflito real, num cenário bem parecido com algumas regiões brasileiras. Muitos questionam por que o exército não toma conta dos morros cariocas. Os motivos são vários e vão além de questões legais. Quem acha que atuar lá e aqui é a mesma coisa, provavelmente, nunca refletiu sobre o que é viver numa favela, num mundo em que as leis são bem diferentes das que conhecemos e isso sem considerar que, no Brasil, não se cumprem nem as leis que todos conhecem.
No Haiti, os brasileiros estão respaldados por regras de engajamento que os permite responder, inclusive com força letal, contra ato hostil ou intenção hostil. E depois voltam para a base militar, onde ficam isolados e protegidos. No Rio, além de não haver tais regras de engajamento – questionáveis ou não – quando termina o combate, o soldado volta pra casa, que fica exatamente na zona de confronto. No Haiti, o tráfico de drogas não é disputado com a destreza carioca. O país é ponto de parada para a distribuição internacional.
O Rio, entretanto, é apenas uma parte desta história e não é um problema isolado do Brasil. O que parecia, até hoje, isolado é o grande problema no Norte, tão grande quanto a floresta amazônica. A região que muitos brasileiros desconhecem é cobiçada por milhares de estrangeiros. Todo mundo quer estar na Amazônia para turismo, estudo, exploração de madeira, minérios e muitos outros recursos naturais. Sem contar a água, que segundo previsões de especialistas, em algumas décadas, vai valer bem mais do que o petróleo.
A Amazônia brasileira ferve. Arrozeiros, índios, não-índios, demarcações de terra, MST, Movimento dos Atingidos por Barragens, ONG – nem sempre honestas e muitas vezes financiadas por verbas do contribuinte, grilagem, seringueiros, tráfico de animais silvestres, desmatamento e uma fronteira de 11.500 km de mata, com países nada tranqüilos.
Será que os militares da Amazônia precisam de mais missões reais? Em termos de terreno, o Haiti não tem nenhuma relação com a nossa floresta. A deles já foi devastada há tempos. A única semelhança, talvez, seja a ausência do Estado, que lá está em formação e, aqui, foi muito mal formado.
O que nos resta é torcer para que o novo surto de violência haitiano não resulte num desgaste ainda maior para o Brasil. E que a saída temporária de 1200 homens da região mais conturbada do país, num momento tão delicado, não represente um grande erro estratégico.
A maior motivação para o rodízio, que já enviou soldados de todas as outras regiões do país ao Caribe, é expor os militares a um conflito real, num cenário bem parecido com algumas regiões brasileiras. Muitos questionam por que o exército não toma conta dos morros cariocas. Os motivos são vários e vão além de questões legais. Quem acha que atuar lá e aqui é a mesma coisa, provavelmente, nunca refletiu sobre o que é viver numa favela, num mundo em que as leis são bem diferentes das que conhecemos e isso sem considerar que, no Brasil, não se cumprem nem as leis que todos conhecem.
No Haiti, os brasileiros estão respaldados por regras de engajamento que os permite responder, inclusive com força letal, contra ato hostil ou intenção hostil. E depois voltam para a base militar, onde ficam isolados e protegidos. No Rio, além de não haver tais regras de engajamento – questionáveis ou não – quando termina o combate, o soldado volta pra casa, que fica exatamente na zona de confronto. No Haiti, o tráfico de drogas não é disputado com a destreza carioca. O país é ponto de parada para a distribuição internacional.
O Rio, entretanto, é apenas uma parte desta história e não é um problema isolado do Brasil. O que parecia, até hoje, isolado é o grande problema no Norte, tão grande quanto a floresta amazônica. A região que muitos brasileiros desconhecem é cobiçada por milhares de estrangeiros. Todo mundo quer estar na Amazônia para turismo, estudo, exploração de madeira, minérios e muitos outros recursos naturais. Sem contar a água, que segundo previsões de especialistas, em algumas décadas, vai valer bem mais do que o petróleo.
A Amazônia brasileira ferve. Arrozeiros, índios, não-índios, demarcações de terra, MST, Movimento dos Atingidos por Barragens, ONG – nem sempre honestas e muitas vezes financiadas por verbas do contribuinte, grilagem, seringueiros, tráfico de animais silvestres, desmatamento e uma fronteira de 11.500 km de mata, com países nada tranqüilos.
Será que os militares da Amazônia precisam de mais missões reais? Em termos de terreno, o Haiti não tem nenhuma relação com a nossa floresta. A deles já foi devastada há tempos. A única semelhança, talvez, seja a ausência do Estado, que lá está em formação e, aqui, foi muito mal formado.
O que nos resta é torcer para que o novo surto de violência haitiano não resulte num desgaste ainda maior para o Brasil. E que a saída temporária de 1200 homens da região mais conturbada do país, num momento tão delicado, não represente um grande erro estratégico.
sexta-feira, 4 de abril de 2008
Protesto violento no Haiti atinge militares
Manifestantes revoltados com a situação econômica do Haiti se reuniram na cidade de Les Cayes, no sul do país. O presidente René Préval é acusado de deixá-los morrer de fome. O protesto, iniciado por volta das 15h de ontem, foi marcado pela violência. Muitas pedras foram arremessadas, inclusive contra a tropa uruguaia e a base da ONU.
Fontes da MINUSTAH (Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti) confirmam que os militares foram autorizados pelo comandante da missão, o General brasileiro Santos Cruz, que chegava ao local, a responder com a mesma proporção de força. Houve disparos com armas de fogo. Blindados da ONU teriam sido atingidos.
O número de feridos não foi divulgado. Militares dizem que centenas de pessoas participaram do protesto. A imprensa haitiana fala em cinco mil. Os manifestantes teriam brigado entre si porque apenas parte do grupo era a favor dos saques realizados em lojas e caminhões de alimentos. A Polícia Nacional do Haiti (PNH) não conseguiu conter a população. A força policial da ONU foi acionada. A situação se normalizou em 2h30, mas os soldados continuam em alerta.
Há a possibilidade de deslocamento de um pelotão brasileiro para o local. Em Gonaïves, ao norte da capital Porto Príncipe, também aconteceram protestos. Em apenas um ano, produtos básicos, como o arroz e as frutas, subiram cerca de 50%. A maioria da população haitiana vive abaixo da linha da miséria, com menos de dois dólares por dia.
Fontes da MINUSTAH (Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti) confirmam que os militares foram autorizados pelo comandante da missão, o General brasileiro Santos Cruz, que chegava ao local, a responder com a mesma proporção de força. Houve disparos com armas de fogo. Blindados da ONU teriam sido atingidos.
O número de feridos não foi divulgado. Militares dizem que centenas de pessoas participaram do protesto. A imprensa haitiana fala em cinco mil. Os manifestantes teriam brigado entre si porque apenas parte do grupo era a favor dos saques realizados em lojas e caminhões de alimentos. A Polícia Nacional do Haiti (PNH) não conseguiu conter a população. A força policial da ONU foi acionada. A situação se normalizou em 2h30, mas os soldados continuam em alerta.
Há a possibilidade de deslocamento de um pelotão brasileiro para o local. Em Gonaïves, ao norte da capital Porto Príncipe, também aconteceram protestos. Em apenas um ano, produtos básicos, como o arroz e as frutas, subiram cerca de 50%. A maioria da população haitiana vive abaixo da linha da miséria, com menos de dois dólares por dia.
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